Glamis: mistérios, combatividade, alteridade, heroísmo

Castelo de Glamis

O espírito escocês gosta da luta, da vida com dramas brumosos. Ele não se sente feito para a plácida vida de todos os dias. E isso se reflete nos castelo de Glamis.

O castelo escocês parece dizer que a batalha é um dos temperos da vida, que lhe dá sabor e a torna digna de ser vivida.

Glamis: castelo imerso nas saudades do passado
Glamis: castelo imerso nas saudades do passado

Essa atitude diante da existência fica sem rumo, sombria, triste, quando não sestá ujeita aos altos ideais do catolicismo e fica ordenada em função da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado, ao exemplo da legião dos mártires e dos cruzados.

A Escócia embora tendo caído no protestantismo, conservou grandes saudades de seu passado católico.

A lembrança de sua última soberana católica, Maria Stuart, rainha de sonhos, ficou com uma fada boa que reanima as esperanças.

Entre os castelos escoceses destaca-se o de Glamis, situado em Agnus, a leste do país. Desde 1372 ele é residência da nobre família dos condes de Strathmore, do clã Bowes-Lyon.

Uma tradição local diz ser ele o castelo possuidor do maior número de segredos obscuros da Escócia.

Glamis: uma cadeira da capela está reservada  para o fantasma de Lady Janet, a "Dama Cinza"
Glamis: uma cadeira da capela está reservada
para o fantasma de Lady Janet, a “Dama Cinza”

Conta-se que um de seus donos, um conde de nome Beardie (aliás, historicamente não identificável), quis jogar baralho num domingo.

Como ninguém aceitou, ele berrou que jogaria até com o diabo se necessário fosse, mas jogaria.

Segundo a lenda, apresentou-se então um desconhecido para jogar com ele. Este seria o próprio diabo, que acabou levando a alma do conde Beardie.

Em 17 de julho de 1537, Lady Janet, viúva do 6º Lord Glamis, foi queimada em Edimburgo, acusada de bruxaria e de ter envenenado seu marido.

Na capela do castelo há uma cadeira que ninguém pode usar, pois é para a “Dama Cinza”, um fantasma que habitaria o castelo e que não seria outro senão o de Lady Janet.

Obviamente ninguém nunca a viu, mas a cadeira está ali, reservada.

A legenda mais fantasiosa é a do Monstro de Glamis, uma criança que teria nascido espantosamente disforme e teria sido encerrada numa suíte até o fim de seus dias.

Para quem ouviu falar dos dramas psicológicos e dos fantasmas morais que perseguem as mulheres que abortaram, a história não soa tão estranha.

Em verdade, Glamis é mais famoso pelo fato de nele ter nascido Lady Elizabeth Bowes-Lyon, posteriormente rainha da Inglaterra e mãe da atual rainha Elizabeth II.

Da família proprietária conta-se um fato que descreve o espírito de alteridade e a personalidade do povo escocês.

Glamis: “Que honra nosso Duque acaba de fazer ao Rei!”
Glamis: “Que honra nosso Duque acaba de fazer ao Rei!”

Quando a filha dos donos do castelo ficou noiva do duque de York, futuro rei Jorge VI, o pai da moça, que viria a ser a Rainha Elisabeth (mais lembrada como a Rainha Mãe), reuniu no hall do castelo toda a criadagem.

Comunicou então que a filha ia ficar noiva do filho de Sua Majestade o Rei da Inglaterra e da Escócia, etc., etc.

A criadagem recebeu o anúncio com muito respeito.

Depois de feita a comunicação, escoou lentamente do cômodo do castelo, comentando: “Que honra nosso Duque acaba de fazer ao Rei!”.

Foi uma afirmação indireta, mas cheia de sabor, do espírito da Escócia do tempo que era um reino católico independente!

O castelo é habitado atualmente pelo conde Michael Bowes-Lyon, 18º conde de Strathmore e Kinghorne.

Video: Glamis e as saudades de uma Escócia toda católica
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