O castelo de Guimarães: nobre, de proporções distintas, sem nada de agressivo

Castelo de Guimarães
O castelo de Guimarães, em Portugal, localizado no distrito de Braga, tem uma certa nota da suavidade lusa.

É preciso ter estado em Portugal ou ter nas veias sangue português — e, por extensão, brasileiro — para poder saboreá-lo bem.

Esse castelo, todo de pedra, é um encanto.

Seu aspecto exterior é muito nobre, com desenhos bastante harmoniosos.

As proporções são muito agradáveis, sem apresentar nada de agressivo e sabendo guardar bem as distâncias e as hierarquias.

Para fazer uma comparação à maneira do turista moderno, sua dimensão equivaleria à área de uns três ou quatro campos de futebol.
Os reinos eram tão pouco povoados, naquele tempo, que batalhas aguerridas e nobres se efetuavam numa área com essa extensão, e o futuro de uma nação decidia-se assim.

Durante a Reconquista católica da península ibérica invadida pelos mouros, estabeleceu-se nos domínios de Vimaranes, em fins do século IX, um cavaleiro tal vez castelhano, de nome Diogo Fernandes.

Uma de suas filhas, de nome de nome Mumadona Dias, fundou um mosteiro que enriqueceu com terras, gado, rendas, objetos de culto e livros religiosos (26 de Janeiro de 959).

A povoação de Vimaranes, entretanto, era vulnerável às incursões dos muçulmanos e às incursões de normandos que assolavam as costas e o os rios.

Da. Mumadona principiou um castelo para recolher as gentes em caso de agressão. O castelo original foi posto sob a proteção de São Mamede. Era bastante simples, como os castelos do século X, composto apenas por uma torre e tal vez uma cerca.

Dom Henrique de Borgonha (1095-1112) que formou o Condado Portucalense, núcleo original do atual Portugal, escolheu o castelo como residência. Porém mandou construir um novo castelo do qual fica a imponente Torre de Menagem.

O perímetro defensivo foi ampliado e reforçado segundo as necessidades da guerra. Nele foi aberta a porta principal a Oeste, e a chamada Porta da Traição, a Leste.

Diante desses muros, Dom Afonso Henriques (1112-1185), fundador de Portugal, no vizinho campo de São Mamede, (24 de Junho de 1128) obteve a vitória que deu origem à nacionalidade portuguesa.

Diversas obras engrandeceram e aperfeiçoaram a fortaleza entre o final do século XII e o século XIV.

A modernidade e o esquecimento das glórias do passado deformaram horrivelmente essa relíquia de Portugal. O castelo passou a abrigar a Cadeia Municipal, e, no século XVII, um palheiro do rei, virando uma ruína!

Em 1836, chegou-se a postular sua demolição para aproveitar a pedra no calçamento das ruas de Guimarães. O crime não foi completado, mas a Torre de São Bento foi demolida.

No século XIX houve um movimento de entusiasmo pelo passado medieval e de restauração de suas ruínas.

E em 1881, o que restava do castelo foi reconhecido como Monumento Histórico e salvo da barbárie. No século XX um grande trabalho de recuperação permitiu que fosse reinaugurado em 4 de Junho de 1940, por ocasião do VIII centenário da fundação do país.

Sucessivas restaurações permitiram ao castelo ingressar no século XXI bem conservado e aberto à visitação pública.

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