O risco na vida dos homens dos castelos

Castelo de Cheverny, armas e armaduras

O jovem pajem que ia ser senhor feudal quando seu pai morrer, era esbelto, magro, fino, com o corpo ereto, com a fisionomia pronta para a aventura, de espada à cinta, pronto a montar um corcel e a correr para fazer uma viagem de um mês, no meio de todas as aventuras, e voltar carregado de glórias ou de ferimentos.

O homem da plebe não tinha obrigação de combater, não tinha vocação de herói.

Eles apenas tinham que ser produtivos.

Nas iluminuras e vitrais medievais aparecem tranqüilos, gordões e pacíficos.

O fidalgo não. Ele era feito para todos os brilhos, glórias, riscos, e para a qualquer momento, despencar em qualquer precipício!

Riscos da vida de um fidalgo? Mas todos! Todos!

Inclusive de um inimigo, que ele podia encontrar na esquina daquelas ruas tão sinuosas das cidades da Idade Média, com quem ele trava desde logo um duelo de morte, que seria o quinto do dia…

Depois ele vai repousar em sua cama, se não vai já de uma vez no caixão funerário…

Castelo de Chenonceaux, quarto

De manhã, ele nunca sabe onde vai repousar à noite.

A menor preocupação é o repouso. Ele não quer saber se ele descansará, ele quer saber se ele vencerá!

Um homem construído com essa tempera, podia facilmente ser o objeto da admiração e o modelo daqueles sobre os quais exercia a autoridade.

Mas ele podia também ser, facilmente, o terror daqueles em quem mandava

Por que terror? Porque não era raro eles construírem castelos em montanhas, dominando a passagem de rios ou estradas.

Castelo de Pfalz, no Reno, Alemanha

E quando eles percebiam de longe que vinham comboios de barcos de comerciantes, eles desciam depressa, abordavam os barcos, levavam os comerciantes para a cadeia e ficavam com tudo quanto eles traziam.

Era o terror do comércio, mas enchia a despensa do senhor feudal.

Depois, o próprio senhor feudal vendia aquilo que tinha tomado demais.

E com o dinheiro mandava comprar armas, reconstruir muralhas, entreter o castelo. Assim ia a vida…

Eram os senhores feudais, muitas vezes, bandidos.

E nada desdoura mais a condição de senhor do que ser bandido.

Nada é mais aviltante do que ser bandido, do que roubar de um pobre homem desarmado o produto de seu trabalho.

Mais sobre castelos de bandidos.

Cadeia! Senhores feudais desse jaez deveriam ir para a cadeia

A Igreja apostrofou tremendamente esses maus senhores.

Mas, ao mesmo tempo, foi dando jeitos neles.

Fortaleza de Carcassonne, mandada construir por São Luís IX, rei da França

Um desses jeitos consistiu em enviá-los para as cruzadas.

Por isso nós vemos nos famosos sermões do Beato Papa Urbano II e de São Bernardo, alusões aos terríveis crimes que precisam ser expiados.

E a expiação consistia em ir a Terra Santa e descarregar sua força no ímpio pagão invasor.

E assim muitos foram tocados pela graça, deram suas vidas, repararam seus pecados e ganharam a vida eterna!

Com os séculos, até esses senhores díscolos foram sendo amansados e se integraram por casamentos e alianças na nobreza regrada e que sintonizava com a moral do Evangelho.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 2/6/84. Sem revisão do autor)

Video: Castelos da França

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