BURG ELTZ (I): beleza sóbria, discreta e majestosa; encantador equilíbrio entre o espontâneo e o planejado

Poesia e mistério no castelo alemão de Burg Eltz
Poesia e mistério no castelo alemão de Burg Eltz

O castelo de Burg Eltz apresenta uma verdadeira charada.

A floresta dá a impressão de brotar num chão lindo, onde não tem poças de água, aranhas, bichos correndo, cobras, nem nada disso.

Mas um chão limpo, claro, onde só há a poesia de algumas coisas mortas ou abandonadas, pequenas trepadeirinhas com rosinhas, umas framboesas escondidas. E misteriosa.

A natureza toda é muito limpa, mas a floresta é misteriosa. Daria para aparecer ali um daqueles anõezinhos de conto de fada, mas também Santa Isabel de Hungria, Santa Cunegundes, Santo Henrique, etc., etc.

Burg Eltz é um dos castelos mais visitados
Burg Eltz é um dos castelos mais visitados

Nesta floresta há fontes que murmuram, rouxinóis que cantam, sombras que prometem coisas, dados incógnitos. Uma cúpula vegetal esconde uma “sub-vida” de delícias envoltas pelo verde.

A floresta forma um todo maciço. O castelo é também um todo compacto.

Forma um grande bloco sem desenho definido, que caminha de cá para lá e cujos contornos não são harmônicos.

Não se pode dizer que tenha um plano de conjunto bonito. É uma fortaleza que existe aonde pode.

Onde o terreno desliza há uma série de edifícios mais baixos que se inclinam junto com o terreno e que também não formam um plano definido.

A beleza do castelo não vem apenas do teto ornamentado, mas vem desse bloco que forma o corpo dele.

A beleza por vezes não resulta principalmente de um plano feito numa mesa de desenho. Mas resulta de um aproveitamento de circunstâncias concretas e práticas por um artista.

Cada parte foi construída segundo as necessidades do tempo. Isso levou a fazer um torreão aqui, uma parte maior do edifício lá, etc.

Burg Eltz não parece ter sido obra de homens, mas de fadas. Mas é muito real
Burg Eltz não parece ter sido obra de homens, mas de fadas. Mas é muito real

É quase uma improvisação. É um castelo construído onde pode estar em pé, mas no total tem uma forma bonita.

Onde é que está a beleza da forma do castelo?

A preocupação estética está muito pouco presente. Entretanto tem uma verdadeira estética.

Qual é essa estética? Um fator dessa estética sem dúvida é esse mundo de torrezinhas, que contrastam com o atarracado da parte inferior.

Num castelo atarracado que floresce em mil pontas diversas, o atarracado realça a fantasia.

As torrezinhas estão numa ordem admirável, mas foram postas ao léu.

A entrada de Burg Eltz é imponente
A entrada de Burg Eltz é imponente

Dir-se-ia que um aviador jogou torrinhas em cima e que elas torrinhas ficaram ali. Elas, entretanto, são encantadoras.

A beleza não está só nas torrinhas, mas na forma indefinida do corpo do edifício.

Então, no que é que esse corpo de edifício é atraente, uma vez que tudo levaria a achar que ele não o é atraente, pois não é planejado?

O espontâneo feito com bom espírito é uma síntese do planejado e do espontâneo desordenado.

Nele, a liberdade e a direção se encontram num ponto de equilíbrio extraordinário.

Aliás, esse critério vale para o modo de governar uma organização, um país, mil coisas, inclusive para o indivíduo escolher o seu modo de ser.

O castelo tem um corpo que reflete um pensamento central.

E os prédios nas encostas desse pensamento central vão tomando ar e jeito na medida das circunstâncias.

Nos refolhos de um grande pensamento central cabem harmonicamente as mais variadas coisas.

Há aí um misto de direção e de espontâneo que é um encanto.

É uma realidade que quebra o queixo de socialistas e liberais. Porque os liberais dizem: nada deve ser dirigido porque a liberdade contém toda sabedoria; e os socialistas dizem: nada deve ser livre porque a direção técnica é a sabedoria.

E o castelinho de Burg Eltz responde com o equilíbrio certo entre esses dois exageros falsos.

Burg Eltz no meio da floresta
Burg Eltz no meio da floresta

A beleza sóbria, discreta, majestosa, firme está exatamente na proporção do castelo. Burg Eltz tem um atarracado possante que pouco liga para a floresta.

Como quem diz: “eu me meto aí no meio de você, essas árvores se afastem porque eu sou rei e sou dono, e aqui se leva uma vida civilizada, com móveis, com cortina, com tudo que não tem lá nas suas encantadoras selvajarias. Eu sou eu!”

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra proferida em 5/7/1976. Texto sem revisão do autor.)

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