O Caminho das Tropas – 2

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O tropeiro

Música: Pedro Cameron
Letra: Carlos C. Costa
Toca, berrante, toca
Óia que a tropa chegou
Toca, berrante, toca
Que o Brasil aqui entrou
O tropeiro meu irmão
Pelas terras do Brasil
Vai, vai, vai, vai
Não tem tempo pra pensar
No amor que ele deixou
Vai, vai, vai, vai
Ai morena d’olhos grandes
Não se esqueça de mim, não
Ai, mineira, gauchita
Pra você volto logo
Trago já meu coração
Segue lá meu companheiro
Seu destino é o sertão
Vai, vai, vai, vai
Anda logo, meu tropeiro
Seu destino é a solidão
Toca, berrante, toca
Óia que a tropa chegou
Toca, berrante, toca
Que o Brasil aqui entrou
O tropeiro meu irmão…
Descansa, tropeiro amigo
Seu amor longe está
Descansa, tropeiro amigo
Que o dia vai raiar
Descansa, tropeiro amigo
Trabalho não vai faltar!     

As principais trilhas.

Os tropeiros seguiam por antigos caminhos indígenas e outros, abertos pelas tropas de mulas e pelas boiadas.

Essas trilhas de e para o Sul eram chamadas genericamente de Caminho das Tropas, e compunham-se por três vias principais:

  • Caminho do Viamão, também designado como “Estrada Real“, a mais utilizada, partia de Viamão, atravessava os campos de VacariaLagesCorreia Pinto,CuritibanosSanta CecíliaPapanduvaMonte CasteloMafraRio NegroCampo do TenenteLapaPalmeiraPonta GrossaCastroPiraí do SulJaguariaíva,SengésItararé, alcançando Sorocaba.
  • Caminho das Missões, partia dos campos de São Borja, seguia por Santo ÂngeloPalmeira das MissõesRodeioChapecóXanxerêPalmas, onde se bifurcava por União da Vitória e Palmeira, e por GuarapuavaImbituva e Ponta Grossa.
  • Caminho da Vacaria, que interligava Cruz Alta a Vacaria no Caminho do Viamão, passando por Passo Fundo e Lagoa Vermelha.
  • Caminho da Praia, que interligava a Colônia de Sacramento no atual Uruguay a Laguna, ia pelo Litoral desde a altura de Montevidéu, atravessando o Rio Chuí, depois o canal de Rio Grande onde desde 1725 havia a tarifação para o transporte do gado, atravessava o rio Mampituba na atual divisa dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, cruzava o Rio Araranguá, que dá nome à cidade catarinense, e chegava a Laguna. Inicialmente era utilizado como forma de ligação entre Laguna, entreposto importante na expansão luso-brasileira para o Sul da América, na falta de segurança na navegação por conta dos conflitos contra a Espanha. No início da utilização dessa rota como caminho de tropa, a mesma ia até São Francisco do Sul e subia o caminho dos Ambrósios, na Serra Geral a caminho de Curitiba. Também foi aberta uma estrada que ligava Araranguá ao Planalto Catarinense, chamada de Caminho dos Conventos, uma opção para transpor a serra e pegar o Caminho do Viamão em direção a Sorocaba. Com o tempo foi ficando esquecido para o comércio com Sorocaba, pois a utilização do Caminho de Viamão facilitava o transporte e tarifação das tropas, ficando como caminho auxiliar na ligação das estâncias instaladas no litoral entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

O impulso povoador

A necessidade de paradas, por vezes longas para esperar que as chuvas cessassem e o nível das águas dos rios baixasse, exigia pernoites e alimentação aos tropeiros, assim como pastos para alimentar os animais, fazendo com que famílias fossem se estabelecendo, dedicadas ao cultivo e comércio para atender aos viajantes, fazendo nascer assim pequenas povoações.

Com o passar das décadas e o aumento do movimento nas trilhas esses núcleos desenvolveram-se, possibilitando a gradativa integração das economias regionais. Muitos desses núcleos transformaram-se em grandes cidades, como se verifica hoje ao longo desses antigos caminhos.

O último tropeiro.

O último tropeiro vivo (100 anos em 2014) a percorreu o trecho da rota entre Viamão, mora em Porto Amazonas. O peão Otávio dos Reis (nascido em 1914 na cidade de Porto Amazonas) fez 5 viagens antes do seu patrão utilizar outros meios para vender suas mulas2 .

Em 1852, graças à acumulação de capital proporcionada por essas feiras, surgiram as primeiras fábricas de seda e algodão (Sorocaba foi pioneira no plantio do algodão herbáceo).

O último grande evento desta natureza em Sorocaba ocorreu em abril de 1897 (conforme relato do jornal 15 de Novembro de Sorocaba). No entanto, o comércio de muares continuou até a década de 1930, porém, sem o patrocínio da administração e o conjunto de comerciantes locais1 .

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