Yellowstone – supervulcão prestes a explodir?

O termo supervulcão designa um centro vulcânico que teve uma erupção de magnitude 8 no Índex de Explosividade Vulcânica, o que significa que os depósitos da erupção (cinzas e outros materiais piroclásticos) são superiores a 1000 km3. São erupções extremamente explosivas e colossais. Assim, umsupervulcão é um vulcão que num determinado ponto no tempo eclodiu mais de 1000 km3 de depósitos. As erupções dos supervulcões são responsáveis por alterações climáticas e extinções em massa.

A erupção em 1815 do Tambora, na Indonésia, a maior erupção registada na história moderna, expeliu apenas cerca de 100 km3, o que foi suficiente para fazer diminuir a temperatura global do planeta durante 3 anos seguidos. Em 1816, as temperaturas dos meses estivais sofreram um abaixamento abrupto na Europa e na América, tendo esse ano ficado conhecido como “o ano em que não houve Verão”.

Há cerca de 75 000 anos, uma erupção na caldeira do Toba, na Indonésia, quase provocou a extinção do ser humano. Ninguém sabe ao certo a extensão desta erupção, sabe-se apenas que foi colossal. Os núcleos de gelo da Groenlândia mostram que esta erupção foi seguida de, pelo menos, 6 anos de “Inverno vulcânico” (que consiste na redução da temperatura causada por cinzas vulcânicas e ácido sulfúrico obscurecendo o Sol e diminuindo o albedo, levando a umarrefecimento muito grande) e acredita-se que o evento possa ter deixados os seres humanos à beira da extinção, tendo exterminado entre 60% a 75% dos seres humanos.

O supervulcão de Yellowstone localiza-se nos Estados Unidos da América, no Parque Nacional de Yellowstone, que cobre uma área de cerca de 9000 km2. Apesar da actual aparência pacífica da paisagem, Yellowstone sofreu períodos de violência extrema no passado.

Três colossais erupções explosivas ocorreram em Yellowstone nos últimos 2,1 milhões de anos, com um intervalo de recorrência de cerca de 600.000 a 800.000 anos. Yellowstone, tal como muitos outros supervulcões, também teve muitas erupções menores. Desde que a sua mais recente caldeira gigante se formou, há 640.000 anos atrás, ocorreram cerca de 80 erupções relativamente não explosivas. Muitas dessas erupções foram separadas no tempo por várias dezenas de milhares de anos. A mais recente actividade vulcânica explosiva de Yellowstone foi há cerca de 70.000 anos atrás.

A caldeira de Yellowstone é constituída por quase todo o parque – cerca de 9000 km2. Uma caldeira vulcânica é uma depressão côncavaque resulta do desaparecimento parcial ou total do cone vulcânico, colapsada por explosões, abatimentos ou agentes erosivos e que apresenta, geralmente, contornos mais ou menos regulares circulares ou elípticos. Pensa-se que a sua câmara magmática mede cerca 80 km de extensão por 40 km de largura e que está localizada em profundidade entre 8 a 16 km. Ela tem a particularidade de ser alimentada de magma por um enorme “ponto quente”, sobre o qual se situa. Os pontos quentes são reservatórios de rocha fundida que se elevam desde pelo menos 200 quilómetros abaixo da Terra até à superfície.

O Observatório do Vulcão Yellowstone analisa constantemente dados que podem indicar umaiminente erupção vulcânica, evento hidrotermal ou um grande sismo.

O sistema vulcânico de Yellowstone tem exibido um comportamento relativamente semelhante desde que a sua actividade vulcânica foi analisada pela primeira vez, há pouco mais de 50 anos. Ao analisar a sua actividade ao longo do tempo, teremos uma melhor compreensão sobre o que é considerado actividade normal. Diferentes vulcões têm diferentes níveis de actividade normal. A actividade normal para Yellowstone tem incluído extensa actividade sísmica(há, geralmente, mais de um milhar de sismos por ano), períodos de elevação e abaixamento da caldeira e mudanças intermitentes das características hidrotermais (geysers, fumarolas…) à superfície.

Um dos dados observados são as deformações da caldeira – elevações e abatimentos de solo. Estas têm sido observadas em vários vulcões e a maioria destes mostra alguma evidência de elevação antes da erupção. Além de se detectar deformação antes de uma erupção, também pode ocorrer deformação imediatamente após uma erupção. Por vezes, após elevações há abatimentos e sem que nenhuma erupção vulcânica tenha ocorrido.

Em outros vulcões, nomeadamente caldeiras como Yellowstone, poderá haver movimentos ascendentes e descendentes por dezenas a centenas ou até milhares de anos, sem haver uma erupção.Actualmente, há deformações em Yellowstone, nomeadamente no seu lago, onde se encontra uma elevação que se eleva 30 metros a partir do fundo do lago, estendendo-se pelo comprimento de sete campos de futebol e tendo o potencial de explodir a qualquer momento. Outra elevação em Yellowstone encontra-se a sul da Bacia do Gêiser Norris, a área termal mais aquecida no Yellowstone. Têm existido outros sinais de que a caldeira permanece plenamente activa, por exemplo, a Bacia do Gêiser Norris produziu novas piscinas de lama aquecida e a temperatura no solo tem aumentado.

Para os que defendem que podemos estar na iminência de uma erupção colossal em Yellowstone e que, até, esta está atrasada, é de salientar que não se pode apresentar intervalos de recorrência com base em apenas três valores, pois é estatisticamente insignificante. As três grandes erupções ocorreram 2,1 milhões, 1,3 milhões e 0,64 milhões de anos atrás. Os dois intervalos entre as erupções são assim de 0,8 e 0,66 milhões de anos, com uma média de 0,73 milhões de anos. A última erupção foi há 0,64 milhões de anos atrás, o que implica que ainda estamos a cerca de 90.000 anos de distância a partir do momento em que poderíamos considerar Yellowstone atrasado para outra grande erupção formadora de nova caldeira.

No entanto, não podemos descartar a possibilidade de uma outra erupção, pela simples razão de que a área tem origem vulcânica e um longo historial vulcânico, bem como pelo facto de existir actualmente magma debaixo da sua caldeira. No entanto, não se têm detectado sinais de actividade que sugerem que uma erupção possa estar iminente, quanto mais de uma erupção colossal.

As futuras erupções vulcânicas em Yellowstone podem ocorrer no interior do Parque ou perto deste. A sua história vulcânica e hidrotermal sugere vários tipos de erupções no futuro, umas mais prováveis que outras.

O tipo mais provável será uma erupção hidrotermal e não vulcânica. Este tipo de pequenas erupções explosivas pode ocorrer a partir de reservatórios de vapor ou água quente em vez dos de rocha fundida/magma. Esses reservatórios são as fontes dos famosos geysers, fontes termais e fumarolas de Yellowstone.

O tipo mais provável de erupção vulcânica em Yellowstone irá produzir fluxos de lava, quer de lava riolítica quer de lava basáltica. As erupções de lava riolítica poderão também incluir fases explosivas que possam produzir volumes significativos de cinzas vulcânicas e pedra-pomes.
O tipo menos provável, mas o pior caso de erupção vulcânica em Yellowstone, seria outra erupção explosiva formadora de caldeira, como as que ocorreram 2,1 milhões, 1,3 milhões e 640.000 anos atrás.

Assim, uma explosão hidrotermal é, provavelmente, o risco imediato mais sério no parque.

Como referido inicialmente, as erupções dos supervulcões são responsáveis por alterações climáticas extremas e extinções em massa. Se outra erupção catastrófica formadora de caldeira ocorrer em Yellowstone, é bastante provável que altere padrões climáticos globais e que tenha enormes efeitos, e durante muito tempo, sobre a actividade humana, especialmente a produção agrícola.

Um documentário da BBC estima que, no caso de uma mega erupção do Yellowstone, praticamente toda a vida animal e vegetal no continente americano seria exterminada. Não há meios de prever por quanto tempo haveria o “Inverno vulcânico”, mas a sua extensão seria medida em anos. Mergulharia a população mundial numa gigantesca crise climática e económica, para além da extinção de imensos seres animais e vegetais.

Assim, Yellowstone não abriga apenas um supervulcão antigo, mas um actual, activo e de certo modo desconhecido. Uma enorme bomba que, apesar de tudo, pode explodir a qualquer momento. O risco é real.

Para quem quiser acompanhar os dados do supervulcão:http://volcanoes.usgs.gov/yvo/

 

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